quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Palestinos e nazistas


João Pereira Coutinho

Escritor português, é doutor em ciência política. É colunista do 'Correio da Manhã', o maior diário português.

Palestinos e nazistas

Binyamin Netanyahu está errado: não foram os palestinos que ensinaram a matança sistemática de judeus aos nazistas.

O Holocausto, como qualquer historiador sério sabe, não se refere apenas ao período pós-1942, quando na Conferência de Wannsee se decidiu "a solução final para a questão judaica" (é importante citar "questão judaica" porque há sempre uns eruditos para quem o Holocausto não foi especificamente pensado para os judeus).

O Holocausto abrange todo o período entre 1933 e 1945, ou seja, desde a chegada de Hitler ao poder até a derrota do Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial. E, nesse período, os nazistas não precisavam de lições de genocídio de palestinos.

A partir de 1933, a perseguição e os assassinatos começaram; campos de concentração foram erguidos na Alemanha; a partir de 1938, com a "Kristallnacht", as matanças esporádicas tornaram-se rotina.

E, com o início da Segunda Guerra Mundial, os fuzilamentos em massa passaram a ser o prato do dia. Um exercício que era demorado, psicologicamente exigente (para a frágil saúde mental dos soldados do Reich, entenda). Era preciso uma "solução" mais rápida e, digamos, "indolor".

A partir de 1942, ou seja, com a desastrosa campanha contra a União Soviética (ou, para os eruditos, contra os seus aliados soviéticos, porque nazistas e comunistas tinham um pacto desde 1939), começaram as primeiras experiências químicas para matar judeus como quem mata baratas ou outros seres rastejantes.

Quando os nazistas descobriram o infame Zyklon B (que, ironia macabra, servia para matar baratas e outros seres rastejantes), estava encontrada a chave para acabar com os judeus da Europa.

Isso significa que o líder árabe na Palestina –Haj Amin al-Husseini– é inocente no antissemitismo assassino do mesmo período histórico? Também não. Vamos esquecer, por motivos caridosos, o fato de Al-Husseini ter sido considerado criminoso de guerra em Nuremberg e ter fugido para o Egito.

A pergunta fundamental é outra: por que motivo o "mufti" de Jerusalém foi considerado um criminoso de guerra?

Não é preciso consultar obras de peso sobre o assunto. Gregory Harms e Todd M. Ferry, apesar das suas simpatias pró-palestinas –repito: pró-palestinas–, escreveram um excelente livro de introdução ao conflito israelo-palestino que recomendo sempre a interessados –e a iletrados.

O retrato que ambos pintam de Al-Husseini resume-se a isto: o "mufti" representa um dos maiores erros do Mandato Britânico da Palestina.

Resumindo uma longa e complexa história, a partir do momento em que os britânicos, nos escombros da Primeira Guerra, decidiram que a Palestina deveria ser partilhada entre judeus e árabes, que já habitavam o território sob administração do Império Otomano (império que desapareceu na guerra), os árabes recusaram essa partilha. Assim começou, no essencial, a luta que dura até hoje.

Confrontado com essa violência, Londres acreditou que o "mufti" de Jerusalém era a pessoa indicada para tentar sossegar os ânimos.

Errou. Barbaramente. Al-Husseini não era apenas um antissemita virulento, que incitava aos confrontos e desejava uma limpeza étnica na Palestina.

Com o Terceiro Reich, o "mufti" estabeleceu relações de amizade e cooperação com Hitler. Na Palestina, criou os "escoteiros nazistas" (uma cópia da Juventude Hitlerista); recebeu apoio financeiro da Alemanha e até da Itália para a luta contra os judeus; e quando, na Alemanha, conheceu finalmente os campos de concentração, retornou à Palestina para também construir um campo do gênero perto da povoação de Nablus.

O premiê israelense Netanyahu está errado. Não foi Al-Husseini quem ensinou a lição a Hitler. O que aconteceu foi o contrário: na teoria e na prática, o Terceiro Reich apenas deu alimento suplementar a um ódio ideológico que já existia na Palestina.


Escuso de dizer que é esse o ódio que permanece até hoje. Porque o conflito israelo-palestino não é, porque nunca foi, um problema territorial. É um problema ideológico que não tem solução enquanto uma das partes olhar para os judeus exatamente como Hitler olhava para eles.

domingo, 25 de outubro de 2015

Dólar mais alto deixa o brasileiro mais pobre; veja quem ganha e quem perde

Dólar mais alto deixa o brasileiro mais pobre; veja quem ganha e quem perde

Sophia Camargo
Colaboração para o UOL, em São Paulo
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  • Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
O dólar ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 4. Muitas pessoas acham que isso não as afeta, pois não ganham em dólar nem pretendem viajar para o exterior em breve. A verdade, porém, é que o dólar mais alto deixou o brasileiro mais pobre.
"O impacto da alta do dólar na vida das pessoas vai chegar a todos, inclusive à dona de casa", diz Edgar de Sá, economista-chefe da FN Capital.
Um dólar tão valorizado retrata uma economia que está em desequilíbrio, segundo o professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV Clemens Nunes. 
Segundo ele, o Brasil está em situação de desequilíbrio fiscal, o que mostra que o governo gasta mais do que ganha, e os investidores não enxergam uma solução sustentável para esse problema num futuro próximo.
"Não há perspectiva de melhora. A consequência disso é que o real se desvaloriza e ficamos mais pobres. Perdemos poder de compra em relação ao resto do mundo."

Qual é o primeiro impacto do dólar mais alto?

A alta do dólar afeta a vida das pessoas comuns porque puxa a inflação para cima.
Muitas matérias-primas são importadas --como trigo, gás e gasolina. Isso provoca um aumento do pãozinho, do macarrão, da gasolina, por exemplo.
Além disso, alguns produtos que são produzidos aqui no Brasil também têm seu preço atrelado ao dólar.
É o caso da soja, da carne, do café, do açúcar, do milho. Mesmo que eles sejam produzidos no país, quando o dólar está mais caro fica mais vantajoso para o produtor exportar. Então, se ele mantém o produto para ser vendido aqui dentro, ele vai querer receber mais por isso.
Outra maneira pela qual a alta do dólar influencia os preços é que, com o produto importado mais caro, os produtos nacionais acabam também sofrendo um reajuste. "Os produtores aproveitam a alta do importado para aumentar a margem de lucro do nacional também", diz Nunes.
Para ele, no curto prazo alguns setores podem até ser beneficiados com a alta do dólar (ver abaixo). "Mas no médio e longo prazo, todos perdem, pois a moeda não está desvalorizada por uma escolha, mas porque a economia está enfraquecida."

Veja quem ganha e quem perde com a alta do dólar

Quem ganha
Arte/UOL

  • Balança comercial – A balança comercial é a relação entre as exportações e importações de um país. Com o aumento do dólar, fica mais caro importar e mais barato exportar, o que ajuda a equilibrar essa conta. A balança vem apresentando resultados positivos graças à alta do dólar. Em agosto, por exemplo, a balança apresentou o melhor resultado em três anos
  • Empresas exportadoras – por terem custos em reais e receitas em dólar, essas empresas se beneficiam da alta da moeda norte-americana. Exemplos são as empresas de papel e celulose e do setor agrícola exportador, como produtoras de soja e de suco de laranja. Esses setores ficam mais competitivos lá fora, mas isso não significa que as exportações vão aumentar imediatamente. "As empresas têm que buscar o mercado lá fora que perderam antes, com o real valorizado", diz Nunes. Além disso, a economia mundial não está tão aquecida para que haja muita procura pelos produtos brasileiros. "Tirando os Estados Unidos, ainda estão meio mal das pernas Europa, China e Mercosul" 
  • Empresas voltadas ao mercado interno – Essas empresas se beneficiam da alta do dólar pois sofrem menos competição dos produtos importados
  • Turismo doméstico – o turismo nacional deve ganhar fôlego com a desistência dos brasileiros de tirar férias no exterior. Mesmo assim, não é esperado um aumento muito grande porque, apesar de o dólar estar mais caro, a economia brasileira como um todo está mais fraca. "As pessoas estão preocupadas com a crise e evitam gastar", afirma Edgar de Sá, economista-chefe da FN Capital

Quem perde
Arte/UOL

  • Consumidor final – Os aumentos de custos na economia são invariavelmente repassados para o consumidor, que sofre com a inflação e a perda do seu poder de compra
  • Empresas importadoras – As indústrias que vendem produtos importados ou que dependem substancialmente de matérias-primas importadas são prejudicadas com a alta do dólar. Exemplos são a indústria química, farmacêutica, revenda de carros importados, de perfumes, chocolates, vinho importado. "Vai depender da capacidade delas de repassar a alta dos custos ao consumidor", diz Nunes.
  • Empresas que tenham dívidas em dólar – Se a empresa fez dívidas em dólar para compra de equipamentos ou insumos e não tem mecanismos de proteção (hedge cambial) para pagamento dessa dívida, está com um problema muito grande agora, afirma Luiz Fernando Roxo, economista da ZenEconomics
  • Pessoas que fizeram gastos no cartão de crédito no exterior – Além do custo de 6,38% de IOF, o aumento do dólar faz com que o gasto no exterior seja bastante aumentado. É por isso que os especialistas não indicam fazer gastos expressivos com cartão de crédito no exterior, mas deixar seu uso apenas para emergências
  • Quem tem viagem marcada para o exterior ou programa de estudos no exterior – Com a alta dos preços lá fora, os turistas estão optando por trocar a viagem por um destino nacional ou até mesmo escolher um país menos caro. "Muitos turistas estão optando por fazer viagens para a América do Sul e intercâmbios em países como Nova Zelândia", diz Edgar de Sá

sábado, 24 de outubro de 2015

De Faurisson a Netanyahu

24/10/2015 

Por: 

Demétrio Magnoli


A Solução Final, isto é, o extermínio dos judeus, não foi concebida por Hitler, mas sugerida ao Führer por Amin al-Husseini, o mufti (clérigo islâmico) de Jerusalém em novembro de 1941. A novidade foi anunciada dias atrás por Binyamin Netanyahu perante o Congresso Mundial Sionista. Dando esse passo, que provocou justo escândalo, o primeiro-ministro de Israel formula uma nova versão do revisionismo do Holocausto. Ela caminha em trilha paralela à do revisionismo de Robert Faurisson, um dos "pais fundadores" do movimento de negação do genocídio judeu.

O francês Faurisson não foi o pioneiro. Antes dele, o negacionismo emergiu pela voz do historiador americano Harry Barnes, em 1962. Mas, naquele tempo, a memória ainda quente da abertura dos portões de Auschwitz e dos Julgamentos de Nuremberg confinava os negacionistas à insignificância. Mais de uma década depois, porém, quando Faurisson divulgou suas teses, a revisão histórica já encontrava recepção em relevantes círculos políticos extremistas. No rastro da Guerra dos Seis Dias (1967), a consolidação do Estado de Israel e a configuração do moderno nacionalismo palestino reativavam o antissemitismo na Europa, tanto entre os neofascistas quanto em correntes da esquerda radical.
Disfarçado sob a fantasia da pesquisa histórica, o negacionismo cumpria uma função política definida. O intelectual Roger Garaudy explicitou-a no título de um livro de 1996: "Os mitos fundadores da política israelense". Nele, o ex-comunista e ex-católico convertido ao Islã explicou que o desvendamento do "mito" do extermínio de seis milhões de judeus faria ruir o alicerce moral sobre o qual se ergueu Israel.
O revisionismo de Netanyahu é de tipo diferente, mas também serve a um fim político útil. Investindo numa mistura tóxica de oportunismo e amoralidade, o chefe de governo israelense pronunciou-se às vésperas de sua visita à Alemanha, uma nação que, por razões óbvias, interdita-se escrupulosamente de confrontar autoridades de Israel. No lugar de negar o Holocausto, ele cuidou de reescrever a narrativa histórica. "Hitler não queria, naquela época, exterminar os judeus, mas expeli-los", ensinou, antes de introduzir sua "descoberta". Husseini teria dito ao Führer que "se você os expulsar, todos eles virão para cá; queime-os!", plantando a semente do genocídio.
Os historiadores esclareceram, há muito, as relações entre Husseini e Hitler. Na moldura da guerra, o mufti buscava um acordo com a Alemanha para o estabelecimento de um Estado árabe na Palestina Britânica. A marcha rumo ao genocídio também foi minuciosamente exposta, apesar da queima dos arquivos pelo regime nazista. De fato, o Führer decidiu-se pelas câmaras de gás no outono de 1941, mas não inspirado por um clérigo de Jerusalém. A Solução Final derivou da descrença no triunfo militar, que se instalou na mente de Hitler com o fracasso da invasão da URSS. Os judeus deveriam perecer para pagar o sangue alemão derramado –e para evitar a vingança contra os nazistas e seus descendentes.
Na versão de Netanyahu, Husseini funciona como uma dupla metáfora. O fardo da culpa deve ser lançado sobre os ombros dos muçulmanos, em geral, e dos palestinos, em particular. Com isso, o primeiro-ministro conecta-se à onda de islamofobia difundida pela direita europeia na hora da crise dos refugiados e, simultaneamente, tenta deslegitimar a ideia da paz em dois Estados, no momento em que se ensaia mais um levante palestino. Ele opera no campo fértil do "choque de civilizações", apostando no confronto.
"Nós sustentamos nossa responsabilidade pelo Holocausto", replicou Angela Merkel. "Isso é ensinado nas escolas alemãs por um bom motivo: não deve ser esquecido jamais", completou seu porta-voz. É uma vergonha para Israel ter que ouvir essa verdade reiterada por um governo alemão. 

Após 12 anos no poder, casal Kirchner deixa legado controverso na Argentina

MARIANA CARNEIRO

Chegando ao final de oito anos de governo e 12 do kirchnerismo, a presidente argentina Cristina Kirchner começou a se despedir do cargo com um vídeo em que lembra alguns feitos de sua gestão.
O kirchnerismo chegou ao poder em 2003, quando o marido de Cristina, Néstor (1950-2010), se elegeu com 22% dos votos, após o ex-presidente Carlos Menem (1989-99) desistir de ir ao segundo turno contra o antigo aliado.
Nessa década no poder, os Kirchner tiraram a Argentina do colapso, após a crise de 2001, que levou o país à bancarrota. Seu principal feito foi ter reduzido a pobreza, que no início de seu governo engolia mais da metade da população, para os atuais 28%.
Mas não sem críticas. A política kirchnerista se notabilizou principalmente pela confrontação permanente, que buscou inimigos nos políticos opositores, no "imperialismo" americano e inglês e nos meios de comunicação.
Enrique Marcarian - 9.set.2015/Reuters
Cristina Kirchner e o candidato governista Daniel Scioli
Cristina Kirchner e o candidato governista Daniel Scioli
"O kirchnerismo foi um período forte na história contemporânea argentina. Pelos amores e ódios que despertou, não passará despercebido", diz o analista Ricardo Rouvier.
No setor empresarial, porém, essa política de confrontação e interferência se traduziu em menos investimentos na última fase da gestão Cristina, o que acabou por deprimir o crescimento. Hoje, a economia está estagnada.
Mas a presidente dobrou a aposta. Neste ano de eleições, turbinou os gastos sociais e levará a Argentina a um deficit fiscal recorde, equivalente a 7% do PIB do país.
Se gera alto grau de incerteza sobre como o próximo governante lidará com a correção da gastança, por outro lado sua política contribuiu para que a mandatária se despeça com alta popularidade.
Com mais de 50% de aprovação, a presidente indicou como sucessor o peronista Daniel Scioli, que foi vice de Néstor e hoje governa a província de Buenos Aires.
A principal discussão dessa eleição, segundo analistas, é se o eleitor deseja a continuidade das atuais políticas ou a mudança. O placar apertado ilustrado pelas pesquisas indica que a população chegará dividida ao pleito.
Os números mais recentes dão a Scioli 38,3% das intenções de voto, seguido por Mauricio Macri, da coligação Mudemos, com 29,2%, e Sergio Massa, que representa peronistas antikirchneristas (21%).
Com esse cenário, ninguém se arrisca a dizer se a eleição terminará no primeiro turno ou se haverá uma final.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Netanyahu é criticado após dizer que Holocausto foi sugestão palestina


Netanyahu é criticado após dizer que Holocausto foi sugestão palestina


Numa declaração que gerou críticas imediatas tanto de lideranças palestinas como israelenses, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, disse na noite de terça (20) que o Holocausto teria sido ideia de um religioso palestino, e não do ditador alemão Adolf Hitler.

Segundo Netanyahu, Haj Amin al-Husseini, grão-mufti de Jerusalém entre 1921 e 1937, teria orientado Hitler durante uma viagem a Berlim, em 1941.
"Hitler não queria exterminar os judeus naquela época, ele queria expulsar os judeus", disse Netanyahu. "E Haj Amin al-Husseini disse a Hitler: 'Se você expulsá-los, eles virão todos para cá'", completou.
Sebastian Scheiner - 20.out.2015/Associated Press
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, discursa no Congresso Sionista Mundial em Jerusalém, na terça (20)
Binyamin Netanyahu, discursa no Congresso Sionista Mundial em Jerusalém, na terça (20)
Na versão de Netanyahu, o ditador alemão teria perguntado, na sequência, o que deveria fazer então com os judeus. "Queimá-los", teria respondido o líder religioso palestino, segundo o premiê israelense.
Nesta quarta-feira (21), antes de embarcar para a Alemanha, Netanyahu comentou a repercussão sobre sua declaração e disse ser "absurdo" ignorar o papel do grão-mufti no holocausto.
"Eu não tive a intenção de absolver Hitler de sua responsabilidade, mas de mostrar que o pai da nação palestina queria destruir os judeus mesmo sem haver ocupação", disse.
Durante o Holocausto, anterior à criação do Estado de Israel, o território da Palestina estava sob mandato britânico.
A declaração de Netanyahu foi feita durante o 37º Congresso Sionista Mundial, em Jerusalém, momentos antes de o premiê dividir o palco com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
MERKEL
Em entrevista coletiva ao lado de Netanyahu em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a responsabilidade pelo Holocausto é alemã.
"Por isso não vemos nenhuma razão para mudar nossa visão sobre a história e, especialmente, sobre esta questão", afirmou Merkel.
Netanyahu, por sua vez, disse estar "muito claro" que Hitler foi o responsável pelo "aniquilamento de seis milhões de judeus", mas também que o líder palestino "aprovou a solução final".
Ao lado do premiê, Merkel ainda afirmou que os assentamentos israelense são "contraproducentes" e instou israelenses e palestinos a acabarem com a violência.
Wikimedia Commons
Haj Amin al-Husseini e Adolf Hitler, em imagem de dezembro de 1941. Crédito Wikimedia Commons
Al-Husseini e Hitler, em foto de 1941
FIM POLÍTICO
O secretário-geral da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Saeb Erekat, lamentou o discurso de Netanyahu e disse que o premiê deveria parar de "usar essa tragédia humana para angariar pontos para um fim político".
"É um dia triste na história, quando um líder do governo israelense odeia tanto seu vizinho que quer absolver o criminoso de guerra mais notório na história, Adolf Hitler, do assassinato de seis milhões de judeus", disse Erekat, que é o principal negociador palestino com os israelenses.
O líder da oposição, Isaac Herzog, disse que a declaração foi uma "distorção histórica perigosa" que pode favorecer nagacionistas do Holocausto.
Até o ministro de Defesa israelense, Moshe Yaalon, que é muito próximo a Netanyahu, rechaçou a declaração. "Certamente não foi [Husseini] que inventou a 'Solução Final'", disse Yaalon à rádio do Exército. "Foi uma ideia maligna do próprio Hitler."
Dina Porat, principal historiadora do Yad Vashem, museu sobre o Holocausto de Jerusalém, considerou equivocada a declaração de Netanyahu.
"Embora tivesse posições antissemitas muito extremadas, não foi o mufti que deu a Hitler a ideia de exterminar os judeus", disse ela à agência de notícias AFP. "Esse ideia foi muito anterior ao encontro entre ambos em novembro de 1941. Em um discurso no Reichstag (antigo Parlamento alemão), em 30 de janeiro de 1939, Hitler já menciona 'um extermínio da raça judia'.
A declaração de Netanyahu ocorre em um momento de tensão entre israelenses e palestinos. Nas últimas semanas, ataques e confrontos mataram ao menos dez israelenses e 40 palestinos, muitos dos quais identificados como agressores.