terça-feira, 31 de maio de 2011

Zelaya modera seu discurso e fala em "princípios liberais"


De volta a Honduras, presidente deposto em 2009 defende união da liberdade de empresa ao "melhor do socialismo"


Ex-mandatário nega recomposição com elite política tradicional do país e elogia a acolhida do governo brasileiro

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A TEGUCIGALPA

De volta a Honduras, o ex-presidente Manuel Zelaya aposta na moderação do discurso. O aliado do venezuelano Hugo Chávez prega "liberdade de empresa", sinaliza que não vai abandonar seu tradicional Partido Liberal e promete uni-lo a seus apoiadores pós-golpe para eleger o próximo presidente em 2013.
"Colhemos a visão do socialismo do século 21, o melhor do socialismo, que é não deixar tudo à mercê do capital. Tenho ideias socialistas, mas tenho princípios liberais: liberdade de empresa, propriedade privada", disse Zelaya à Folha ontem.
"É a união dos dois eixos que nos permitirá vencer a ortodoxia, vencer o status quo. É esse movimento que será a opção para chegar ao poder em dois anos", seguiu.
O ex-presidente afirma que proporá à assembleia da FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular), formada pós-golpe, um modelo como o da Frente Ampla do Uruguai ou da Concertação chilena: uma coalizão de partidos do centro à esquerda, que não perdem suas identidades. "É a minha proposta, mas as bases decidirão."
Zelaya voltou a Tegucigalpa no sábado, quase dois anos após ser deposto, num avião da estatal venezuelana Conviasa, ao lado de uma constelação de esquerdistas.
O retorno foi possível graças a acordo entre ele e o atual presidente de Honduras, Porfirio Lobo, mediado por Colômbia e Venezuela. O pacto deve selar a reintegração do país à OEA (Organização dos Estados Americanos) em sessão extraordinária marcada para amanhã.
Em seu primeiro discurso, Zelaya evitou criticar o Partido Liberal, para decepção da ala mais dura da FNRP. No país, o centro-direitista Liberal e o conservador Nacional se revezam no poder há pelo menos três décadas.
Zelaya, um rico fazendeiro, foi eleito pelos liberais e, numa mostra dos laços da elite hondurenha, foi colega de colégio de Lobo. Alguns apoiadores desconfiam que o acordo seja também o começo de sua recomposição com a classe política tradicional.
Zelaya nega. "O Partido Liberal tem uma fissura mortal, ocorrida ao se envolver no golpe. Vamos inovar."
Com olhos marejados, o ex-presidente diz que passou o "momento de maior êxtase da sua vida" na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permaneceu sitiado por quase quatro meses enquanto negociava sua frustrada volta ao poder em 2009.
"Quando [o ex-presidente] Lula e [o ex-chanceler] Celso Amorim anunciaram que me aceitavam na embaixada, foi o momento mais glorioso, porque eu estava

Folha de São Paulo, 31/05/2011

Obama escolhe seu novo chefe do Estado-Maior; nome vai ao Senado

EUA

DE NOVA YORK - O presidente Barack Obama nomeou o general Martin Dempsey como chefe do Estado-Maior dos EUA, prosseguindo com as mudanças na sua equipe.
O comandante do Estado-Maior, que ocupa o posto mais importante das Forças Armadas, é o principal assessor militar da Casa Branca.
A escolha precisa ser confirmada pelo Senado e marca nova alteração no setor de Defesa, em que Obama vinha mantendo boa parte do comando herdado de George W. Bush.
No mês passado, o presidente já havia anunciado que o diretor da CIA, Leon Panetta, substituirá em julho Robert Gates no comando da Defesa.
O substituto de Panetta será o general David Petraeus, comandante das Forças dos EUA e da Otan no Afeganistão.

Projeto europeu terminou, diz líder extremista francesa

Marine Le Pen, da Frente Nacional, defende que as fronteiras nacionais no continente sejam reforçadas

Candidata à Presidência francesa no ano que vem, ela critica elites pela reação na acusação contra Strauss-Kahn

ANA CAROLINA DANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

Sensação da política francesa, Marine Le Pen, 42, da Frente Nacional, decreta, em entrevista à Folha: o grande projeto europeu acabou.
Candidata à Presidência em 2012 pela extrema direita, ela ganha impulso com as crises econômica, migratória e política no continente.
Analistas avaliam que Marine deve se beneficiar também da prisão do ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn, acusado de abuso sexual de uma camareira. Segundo ela, o caso demonstra a hipocrisia da elite francesa. Embora de fala mais suave que o pai, sua plataforma é semelhante: anti-imigração e contrária à globalização.

Folha - Como a sra. vê o caso Dominique Strauss-Kahn?
Marine Le Pen - Não sei o que foi mais humilhante para a França: a prisão ou a reação da classe politica francesa, particularmente inapropriada. Ninguém se pronunciou pela vítima. As reações demonstraram o reflexo da casta de elites que quer se proteger custe o que custar.

Por que a Frente Nacional vem subindo nas pesquisas?
Os franceses se dão conta de que 30 anos de política fizeram de um grande país um Estado à beira da falência. Nosso programa aparece aos franceses como uma verdadeira alternativa. A Frente Nacional mudou seus dirigentes. Durante muito tempo, meu pai foi caricaturado.

A imigração é um tema importante e central no programa da Frente Nacional. O que é a "preferência nacional"?
Priorizar quem tem a nacionalidade francesa no meu país, no acesso ao emprego, às moradias sociais. Que a solidariedade nacional seja reservada aos franceses, seja qual for a sua origem. Acho que é mais normal dar trabalho aos franceses que aos estrangeiros. Sem nenhum ódio contra os estrangeiros. Todos os estrangeiros que chegam à França devem poder se sustentar. Não temos mais os meios necessários para acolhê-los.

A senhora considera a imigração perigosa para a França? Não é uma questão de perigo. A imigração é muito dispendiosa. Pesa sobre o deficit publico, pois a escola e a saúde são totalmente gratuitas, fora os outros benefícios, como as moradias sociais.

A imigração legal deve ser regulada? Como?
Sim, temos que fazer uma moratória sobre a imigração. Nós acolhemos hoje 200 mil pessoas por ano e temos 5 milhões de desempregados. Isso é um absurdo absoluto. Temos cerca de 200 bilhões de deficit por ano e continuamos a importar desempregados, pois não há trabalho. Então, não é mais possível fazer viver a imigração pela solidariedade.

A Europa não deveria acolher, pelo menos provisoriamente, imigrantes que fogem do norte da África?
Por que a Europa? É muito mais normal que sejam os países árabes que acolham esses tunisianos ou líbios. Têm a mesma religião, a mesma língua, a mesma cultura. É muito menos perturbador para o mundo que esse fluxo seja feito com a ajuda financeira de países árabes, como as monarquias do petróleo, extremamente ricas. Não entendo por que é sempre à Europa que se pede ajuda, ainda mais com nossos países em falência. A grande Europa terminou.

A França deve sair do espaço Schengen [de livre circulação dentro da Europa]?
Sim. A Europa demonstrou que é incapaz de proteger suas fronteiras. E, além do mais, é uma questão de soberania nacional. Cada país tem o direito de decidir quem entra e quem sai.

A sra. é favorável a que a direção do FMI seja também ocupada por países não europeus, como pede o Brasil?
Claro. Aliás, defendo a supressão do FMI; mas, já que tem de ser dirigido, não vejo por que a direção tenha de ser reservada a europeus.

Brasil e Mercosul estão negociando um acordo de livre-comércio com a União Europeia. A França disse ter reservas. A senhora se opõe a ele?
Sim. Esse acordo vai matar a agricultura francesa e, como dirigente francesa, penso primeiro nos interesses do meu país. Não quer dizer que outros acordos não possam ser feitos. Sou a favor do protecionismo inteligente.

A Europa deve continuar a ajudar a Grécia?
Sou totalmente contra. É um trabalho de Sísifo. Estamos fazendo algo terrível, estamos esmagando um povo. Diminuímos os salários, as pensões, os levamos a vender seus patrimônios, e tudo isso para chegar aonde? Desamparamos o país e a população para que especuladores consigam ainda mais benefícios. É por isso que defendo a supressão do FMI; acredito que o Fundo participa da destruição desse povo. Hoje é a Grécia, amanhã será Portugal, depois a Espanha. O euro está morto. Chegamos ao fim do sistema. Quisemos dar o mesmo medicamento a todos os doentes e todos estão quebrando. A única possibilidade para a Grécia é abandonar o euro.

FOLHA.com
Leia a íntegra da entrevista
folha.com.br/mu923038

Alemanha abandonará energia nuclear

Governo quer desativar usinas do país até 2022; algumas, porém, podem ficar em stand-by para evitar desabastecimento

Gestão Angela Merkel mudou de posição após acidente no Japão; 80% dos alemães são contra uso de energia atômica


Michael Gottschalk - 29.mai.2011/ Associated Press
Ativista no alto do portão de Brandemburgo,em Berlim, durante
ato contra a política nuclear do governo, anteontem


CAROLINA VILA-NOVA
EM BERLIM

A Alemanha anunciou ontem um plano para pôr fim definitivo ao uso de energia nuclear até 2022, no que está sendo chamado no país de uma "virada energética".
Cerca de 22% da energia produzida na Alemanha hoje é de origem nuclear. Com a mudança, fontes renováveis passarão a responder por 35% da produção -o dobro do percentual atual. O restante virá principalmente de fontes como carvão e gás.
O plano foi anunciado pelo ministro do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, após reunião entre os partidos que integram a coalizão da chanceler (premiê) Angela Merkel. A ideia é que a proposta seja formalizada pelo gabinete na semana que vem e submetida ao Parlamento.
"Não é nada mais, nada menos que uma revolução. Temos a chance de ser a primeira nação industrial a fazer a transição para a energia renovável", disse Merkel.
Pelo plano, as 17 usinas nucleares do país serão desativadas até 2021. Há, porém, possibilidade de extensão por um ano para três delas.
Além disso, as sete usinas cujas atividades haviam sido congeladas por três meses em março, após o acidente nuclear em Fukushima (Japão), já não voltam a operar. Uma usina que estava parada desde acidente em 2009 também será desativada.
Trata-se das instalações mais antigas no país. Porém ao menos uma delas ficará em stand-by também, para um eventual desabastecimento. As demais nove usinas serão desligadas ao longo dos próximos dez anos.
O plano representa uma reversão da posição tradicional da chanceler sobre energia nuclear. Em 2010, seu governo decidira prolongar em 12 anos, em média, a vida útil das usinas mais antigas.
O acidente de Fukushima - somado ao temor de novas derrotas nas eleições estaduais deste ano, como a que ocorreu em Baden-Württemberg em março- provocou a guinada. Cerca de 80% dos alemães são contrários à utilização de energia nuclear.

CONTROVÉRSIAS
Para Hans-Joachim Ziesing, analista sênior do Instituto Ecológico, embora a decisão seja "muito importante", ela precisa ser acompanhada de medidas como um programa de expansão do uso da energia renovável.
Outros analistas afirmam que o maior uso do carvão pode significar que, no longo prazo, a Alemanha e o mundo se tornem "mais sujos".
A imprensa alemã fala do risco de alta das tarifas, de desabastecimento no inverno e de indenizações bilionárias por parte das quatro empresas que administram as usinas. O governo ainda não decidiu o que fará dos reatores depois de desativá-los.

Folha de São Paulo, 31/05/2011

Correndo no ar

VLADIMIR SAFATLE

É possível que, em algum momento na história do Exército brasileiro, ter senso de humor tenha sido condição para integrar suas fileiras.
Era bom ter um tipo de humor típico dos desenhos animados em que a raposa persegue sua presa e acaba não percebendo que o chão acabou.
Ela continua correndo, mas no ar. Todos veem que seus movimentos são irreais, menos a raposa. Até o momento em que a farsa não tem como continuar e a raposa cai.
Alguns militares responsáveis por crimes contra a humanidade, como tortura e terrorismo de Estado, agem até hoje da mesma forma. Eles continuam correndo no ar, como se o que todos enxergam não devesse ser levado a sério.
Vez por outra, eles nos escarnecem ao irem à imprensa e falar que nunca torturaram, sequestraram e ocultaram cadáveres, até porque, segundo os próprios, nem sequer houve tortura como prática sistemática de Estado. Operação Condor foi delírio de documentarista desempregado.
Em breve, eles nos convencerão que nem sequer houve ditadura militar. Tudo teria sido só um conjunto de medidas preventivas para impedir o "grande golpe comunista", inexoravelmente em marcha.
Há alguns meses, o antigo ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, nos mostrou um pouco dessa arte cômica ao afirmar que Vladimir Herzog se suicidou, já que era uma "pessoa assustada e não preparada".
Dias atrás, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi entre 1970 e 1974 (ou seja, no momento mais negro e brutal da história brasileira), nos mostrou a mesma habilidade ao dizer, nesta Folha, que nunca torturou ninguém, que a história contada por Persio Arida a respeito de sua tortura era uma farsa.
Da mesma forma, teria sido uma farsa a acusação da então deputada federal Bete Mendes ao identificá-lo, no começo da década de 80, como aquele que a tinha torturado. Ao ser réu em uma ação declaratória de tortura e sequestro impetrada pela família Teles, o coronel mais uma vez não titubeou e simplesmente negou tudo, mesmo que o juiz da 23ª Vara Cível de São Paulo tenha julgado a ação procedente.
Em qualquer outro país, torturadores como o coronel Ustra estariam na cadeia, tal como foram presos militares que fizeram o mesmo -como Manuel Contreras e responsáveis por crimes contra a humanidade, como Jorge Videla, Ernesto Galtieri e companhia.
Aqui, eles podem continuar a correr no ar. Assim, convivemos com responsáveis por crimes hediondos que acreditam poder apagar a história, insultar a memória, deixando a ameaça velada de quem diz: nunca fiz isso e, como nunca fiz, ninguém pode me impedir de não fazer novamente. Enquanto isso, ficamos esperando as raposas caírem.


VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras na Folha de São P

Pirueta nuclear

Editoriais
editoriais@uol.com.br

Alemanha planeja desativar todas as usinas atômicas até 2022; Merkel anuncia plano ambicioso a fim de combater a popularidade dos Verdes
O desastre atômico de Fukushima, no Japão, fez uma vítima de peso: a indústria nuclear da Alemanha. Todas as 17 centrais atômicas da quarta economia mundial serão desativadas em pouco mais de uma década, até 2022.
A coalizão conservadora que governa o país, chefiada pela democrata-cristã Angela Merkel, tomou a decisão acossada por razões eleitorais, não ambientais. O gabinete Merkel quer conter o crescimento dos Verdes.
Os Verdes são só a quinta força no Parlamento (11% das cadeiras). Obtiveram, porém, avanços notáveis em eleições recentes.
No Estado de Baden-Wurttemberg, governado há décadas por democratas-cristãos, conquistaram 24,2% dos votos em março -logo após o maremoto japonês- e formaram uma coalizão com os sociais-democratas do SPD.
As próximas eleições gerais na Alemanha devem ocorrer até o final de 2013, mas podem ser antecipadas. Se houvesse um pleito hoje, a soma dos votos dos Verdes e do SPD permitiria formar um novo governo, indicam as pesquisas.
A política de desembarque nuclear foi proposta pela primeira vez por um governo desses dois partidos. Em 1998, o chanceler (premiê) social-democrata Gerhard Schröder e o ministro das Relações Exteriores Joschka Fischer prometeram desativar as centrais atômicas até o mesmo ano de 2022. O plano foi depois abandonado, em face dos investimentos para mudar a matriz energética.
Merkel, em lugar de quase um quarto de século, tem apenas 11 anos para alcançar o mesmo objetivo. E programa fazê-lo duplicando a parcela de energia gerada por fontes renováveis (hidráulica, eólica e solar) dos atuais 17% para 35%, por exemplo com grandes turbinas de vento em alto-mar.
O custo da empreitada seria comparável ao 1,3 trilhão despendido na unificação das duas Alemanhas, nos anos 1990. Investimento improvável, na atual crise econômico-financeira europeia.
Parece mais realista que a Alemanha venha a cobrir os 23,3% de geração atômica com importação de energia da França (predominantemente nuclear), ou com a queima de combustíveis fósseis, como carvão e gás natural (64,8% da eletricidade alemã, hoje).
Trata-se de mais uma má notícia para o aquecimento global, após a Agência Internacional de Energia anunciar que a emissão de carbono subiu 5% em 2010. A meta de manter o aquecimento no limite de segurança de 2°C, nesse ritmo, já é quase inexequível.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dilma faz hoje uma visita de cinco horas ao Uruguai

Presidente se reúne com José Mujica; 14 acordos serão assinados entre países

Mandatária adiou duas vezes a viagem, por causa de pneumonia; temperatura ontem em Montevidéu era de 5 C

LUCAS FERRAZ
ENVIADO ESPECIAL A MONTEVIDÉU

Em sua terceira viagem oficial ao exterior, a presidente Dilma Rousseff chega hoje ao Uruguai para um encontro com o colega José Mujica.
A presidente cancelou uma viagem ao Paraguai e remarcou por duas vezes a visita a Montevidéu, por causa de uma pneumonia diagnosticada no início deste mês.
Ela deve passar pouco mais de cinco horas na fria capital uruguaia, cujos termômetros ontem chegaram a marcar 5 C.
A agenda de trabalho, caráter que a delegação brasileira faz questão de dar à visita, inclui um almoço entre Dilma e Mujica, uma visita a um centro tecnológico e a assinatura de 14 acordos em áreas como saúde, cultura, infraestrutura, ciência e tecnologia e segurança pública.
Esses dois últimos pontos são considerados vitais na agenda de hoje. O governo brasileiro dará respaldo à decisão do Uruguai de mudar seu sistema de TV digital, trocando o modelo espanhol pelo nipobrasileiro.
A segurança é um dos temas mais sensíveis da gestão de Mujica, criticada pelo crescente aumento da violência, sobretudo na capital. O governo brasileiro vai ajudar o país com treinamento na área policial.
O Brasil vê a visita presidencial como uma oportunidade para aumentar sua participação na pujante economia uruguaia, que cresce a uma média anual de 7%.
A presença brasileira no país é expressiva: vai da Petrobras (dona da Montevideo Gas, que controla a distribuição de combustíveis na capital) até a popular cerveja Patrícia, que pertence à Ambev.
O comércio bilateral entre os países, no ano passado, chegou a US$ 3 bilhões -10% do montante comercializado entre Brasil e Argentina, o principal sócio brasileiro na América do Sul.
Ex-militantes de esquerda que foram presos e torturados nas ditaduras dos anos 1970, Dilma e Mujica passam por desgastes internos.
A presidente brasileira enfrenta crise resultante da revelação, pela Folha, de que seu principal ministro -Antonio Palocci, da Casa Civil- multiplicou seu patrimônio por 20 nos últimos quatro anos, por trabalhos de consultoria que ele não divulga.
Mujica e sua coalizão, a Frente Ampla, são questionados pelo fracasso na tentativa de anular a Lei da Anistia, que dividiu o país. O presidente, que apoiava o fim da anistia aos militares, logo mudou de posição. A legislação foi mantida, mas ele saiu do processo desgastado.
São Paulo, 30/05/2011

"Perfidia" dá o tom da primeira noite de Zelaya em Honduras

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A TEGUCIGALPA

A rodinha de violão se formou em torno da cama de casal. Soou o clássico "Perfidia": "Mujer, si puedes tú con Dios hablar...".
Entre os que faziam coro, o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, o ex-presidente do Panamá Martín Torrijos e a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba.
A cena ocorreu no quarto de Manuel Zelaya, em sua casa em Tegucigalpa, horas depois de o ex-presidente voltar a Honduras, anteontem, e ser recebido por uma multidão de apoiadores.
"Obrigada por trazer outra lembrança para essa casa", disse Hortencia, uma das filhas de Zelaya. Foi do local que militares tiraram o ex-presidente para levá-lo à força à Costa Rica em 2009.
Zelaya, que parecia cansado, acompanhava o sarau do lado de fora do quarto. Apoiadores e outras personalidades do mundo esquerdista -como a jornalista e ativista americana Amy Goldman, do "Democracy Now"- se espalhavam por cômodos do sobrado, numa zona de classe média alta.
Ao lado de um retrato a óleo de Zelaya montado a cavalo, Juan Barahona, coordenador da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) formada pós-golpe, criticava a possibilidade de Zelaya não se desligar do seu tradicional Partido Liberal.
"Se ele ficar no Partido Liberal, não só eu, mas toda a base da resistência ficará frustrada", disse Barahona, que espera transformar a frente em legenda.
Assediado por vários setores de seus apoiadores, Zelaya promete passar os próximos dias no interior -não sem ser duramente criticado pela imprensa local que apoiou sua deposição.
Os maiores jornais do país o acusaram de causar "desespero" em seus apoiadores, que o esperaram por mais de três horas sob o sol.
Folha de São Paulo, 30/05/2011

Destino dos recursos gera controvérsias

DE WASHINGTON

Pentágono, indústria da Defesa e Congresso resistem como podem a cortes em armamentos. Mas boa parte do que consome recursos é controverso.
Argumenta-se que os porta-aviões são cada vez mais obsoletos, pois levam aeronaves caras e tripuladas em uma era em que os não tripulados são cada vez mais usados.
Na operação na Líbia, a maior parte dos ataques foi feita por mísseis guiados como os Tomahawks, de longo alcance. Porta-aviões foram marcantes pela ausência.
Calcula-se que US$ 217 bilhões poderiam ser economizados até 2020, reduzindo a frota de 286 para 230 navios; aposentando dois porta-aviões e seus esquadrões, reduzindo compras de jatos F-35 e aposentando dois esquadrões da Força Aérea.
Para Gordon Adams, principal assessor da área no governo Clinton (1993-2001), a primeira coisa a fazer é eliminar postos. Gastos com pessoal consomem 42% do orçamento.

Orçamento militar americano poderá cair US$ 1 tri em 10 anos

Rejeição popular às guerras e luta contra o deficit levam a cortes

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

A rejeição popular às guerras do Afeganistão e do Iraque, a pressão contra o deficit federal e até a morte de Osama bin Laden.
Tudo isso empurra os EUA para algo não visto há mais de uma década: um corte sério dos gastos militares.
O presidente Barack Obama já pediu uma diminuição de US$ 400 bilhões até 2023, mas propostas em circulação e as projeções gerais estimam que o orçamento da Defesa pode cair até US$ 1 trilhão em dez anos.
Hoje, cerca de um quarto de tudo o que o governo gasta vai para Defesa.
Mas em um país que se acostumou desde o fim da Guerra Fria a gastar mais do que todo o resto do mundo combinado nessa área, a tarefa é uma briga de foice.
A começar dentro do Pentágono. Com gastos básicos cotados neste ano em US$ 549 bilhões, o secretário da Defesa, Robert Gates, já pediu para 2012 outro aumento: US$ 553 bilhões.
Em 2011, se somados o que é pedido separadamente para as guerras (US$ 159 bilhões), defesa nacional (US$ 44 bilhões), gastos com veteranos (US$ 122 bilhões) e outros itens, o total ultrapassa US$ 1 trilhão.
Gates ordenou nova revisão dos custos na semana passada, mas não especificou quanto e onde cortar. Ele alertou que, "se vamos reduzir o tamanho das forças americanas, as pessoas precisam fazer escolhas conscientes sobre as implicações para a segurança do país."
Ainda assim, segundo analistas, nunca desde a virada do século a conjuntura foi tão favorável ao corte no orçamento da Defesa.
"As forças que estão puxando o corte são bastante poderosas e externas ao Pentágono", disse à Folha Gordon Adams, pesquisador em Defesa da American University, em Washington.
"A primeira é a pressão contra o deficit, que está no centro da política americana hoje, e, em seguida, vem a diminuição da preocupação com as guerras."
O deficit público dos Estados Unidos está estimado em US$ 1,6 trilhão neste ano -a dívida já atingiu o teto permitido pelo Congresso, de US$ 14,3 trilhões.
Adams afirma que está ocorrendo uma reprodução das forças em ação entre 1985 e 1998, quando os gastos com defesa caíram muito.
"A queda então foi puxada por questões fiscais e o declínio da preocupação com combates após o fim da Guerra Fria", diz.
"Já estamos vendo sinais disso. O que foi destinado para o ano fiscal atual tinha US$ 20 bilhões a menos do que o secretário da Defesa pediu." Para ele, o problema do Pentágono é que, como dobraram os gastos nos últimos dez anos, perderam toda a disciplina.

Ataque da Otan mata 14 civis afegãos

Investida contra o Taleban atinge acidentalmente 12 crianças e duas mulheres em casas em Helmand, no sul do país

Em advertência aos EUA, presidente afegão, Hamid Karzai, diz que "gente inocente está morrendo" todos os dias


Efe
Familiares levam crianças mortas até governador

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Um ataque de tropas da Otan (aliança militar ocidental) no sul do Afeganistão anteontem matou acidentalmente 14 civis, entre eles 12 crianças e duas mulheres.
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, fez dura condenação. "Esse é o último aviso para as forças da Otan e os americanos", afirmou.
Ele disse que "essas operações arbitrárias e desnecessárias estão matando gente inocente todos os dias". Morreram cinco meninas, sete meninos e duas mulheres.
Os civis estavam em duas casas no distrito de Nawzad, que foram alvo de um ataque aéreo da Otan. Foi uma retaliação a um ataque do Taleban horas antes contra uma base de fuzileiros dos EUA na província de Helmand.
"A minha casa foi bombardeada no meio da noite e meus filhos foram mortos; o Taleban está longe daqui. Por que atacaram minha casa?" disse um dos familiares, Noor Agha, à Reuters.
Parentes recolheram os corpos de várias crianças e os embrulharam em lençóis ensanguentados, enfileirando-os em seguida no chão. De lá, eles os levaram para a capital de Helmand, Lashkar Gah.
Familiares levaram seus filhos mortos, alguns de dois anos de idade, até a mansão do governador da província, gritando: "Veja, eles não são do Taleban".
As mortes por engano de civis afegãos pelas tropas da Otan, normalmente em ataques aéreos ou noturnos, são uma enorme fonte de tensão entre o governo de Karzai e os Estados Unidos.
Karzai já pediu que a Otan restrinja esses ataques com aeronaves não tripuladas, principalmente à noite, porque causam muitas baixas entre civis. Também dificultam o apoio do povo afegão à guerra empreendida pelos EUA, tornando o conflito cada vez mais impopular.
Há poucos dias, milhares de pessoas tomaram as ruas e protestaram contra ataques aéreos da Otan que haviam matado quatro civis.
O presidente Karzai determinou que ataques noturnos ou operações mais sensíveis sejam conduzidos exclusivamente por tropas afegãs.

RETIRADA
Segundo acordo firmado com a Otan, as forças estrangeiras começam a transferir o poder para os soldados afegãos no próximo mês de julho, com a meta de retirada total das tropas de combate da Otan até o fim de 2014.
Atualmente, há 130 mil soldados estrangeiros no país. Os EUA invadiram o Afeganistão após os atentados de 11 de setembro de 2001, em busca do terrorista Osama bin Laden, que era abrigado pelo Taleban.
Folha de São Paulo, 30/05/2011

Domando a inflação

TODA MÍDIA
NELSON DE SÁ
nelsonsa@uol.com.br

Domando a inflação

Chile e México "sinalizam menor preocupação com inflação" e já pausam juros, noticia a Reuters. Em outros "sinais de que a América Latina está conseguindo domar inflação", cita Brasil e Peru.
Na semana, a Standard & Poor's avaliou que "inflação começa a desacelerar" no Brasil, no "Financial Times". E a Folha, no editorial "Queda de pressão", afirmou que "dados sobre mercado de trabalho indicam que alta de preços no setor de serviços pode arrefecer, ajudando a aliviar impulso inflacionário".
Hoje sai o IGP-M, que deve continuar em torno de 0,7%, avalia a Austin Rating no iG, citando o preço das commodities, sobretudo petróleo.




//CHINA & BRASIL
No "FT", o investidor Mark Mobius vê a economia chinesa em perspectiva positiva. Diz que "o luxo que países como China, Índia, Brasil, Rússia e Egito têm é o grande mercado interno para estimular crescimento". O mesmo "FT" reportou, de Brasília e Pequim, que os dois governos negociam a retirada de barreiras pela China, para entrada de produtos processados como óleo de soja e frango congelado -e até sapatos.
E o "China Daily", sob o título "Relações de importância global", publicou longo artigo de Sun Hongbo, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, dizendo que o vínculo dos dois países hoje vai "além do âmbito bilateral". Defende que "devem otimizar a estrutura de investimentos e promover a diversidade no comércio bilateral".
Ele sugere que a China dê "atenção às preocupações" do novo parceiro.

//CONTRA CHINA & BRASIL
O "New York Times" deu na capa de sábado que o "Interesse da China por terras deixa Brasil inquieto", segundo o correspondente Alexei Barrionuevo. Cita "especialistas" como Paulo Sotero, do Wilson Center, de Washington, para afirmar que "a parceria evoluiu para uma relação neo-colonial". E ouve do americano Brian Willott, fazendeiro no Brasil, que, "para todo lado que se olha, estão dizendo considerar vender para os chineses".
E a Associated Press despachou no fim da semana a longa reportagem especial "Choque cultural complica ofensiva chinesa no Brasil", sublinhando diferenças no mercado trabalhista.

//LAGARDE VEM AÍ
"Líderes do G8 apoiam Christine Lagarde para o FMI", Rússia inclusive, declarou o chanceler francês, destacado na Reuters.
No alto da home do "Wall Street Journal", "Lagarde começa ofensiva de sedução no Brasil". A ministra francesa embarcaria ontem à noite, para encontros com o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e o chanceler Antonio Patriota, hoje. Em entrevista à rádio Europe 1, disse que vai responder à "frustração dos emergentes", que "querem saber se os candidatos representam o interesse geral", não só europeu. Segundo o iG, o Brasil "deve seguir voto da China e apoiar Lagarde".
Além dela, informa a agência Xinhua, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, chega amanhã para "aprofundar parceria" com o Brasil.

//PERU DIVIDIDO
Ontem na manchete do peruano "El Comercio", a pesquisa Ipsos Apoyo para o jornal, que apoia Keiko Fujimori, mostrou empate técnico -com a candidata de direita à frente de Ollanta Humala, 50,5% a 49,5%. Já na manchete do "La Republica", a pesquisa Imasen para o jornal, que apoia Humala, também vê empate técnico -com o candidato de esquerda à frente, 50,8% a 49,2%.
Os dois jornais destacaram a importância do debate de ontem à noite, na televisão, para definir o favorito a uma semana da eleição. Na semana passada, os ex-candidatos Alejandro Toledo e Pedro Pablo Kuczynski, ambos de centro-direita, apoiaram Humala e Fujimori, respectivamente.

"WILD WEST"

nytimes.com
Com vídeo de José Claudio da Silva, morto no Pará, o "NYT" criticou a Justiça na região. Diz que o "êxito ao julgar fazendeiros por trás das mortes é inexistente". O Greenpeace vê "Oeste selvagem" no Pará, "Estado fora de controle"

"ROSTO SERENO"

globo.com


A "Época", da editora Globo, usou uma foto de Dilma Rousseff tirada pela "Time" -na lista dos 100 mais influentes em abril- para ilustrar que "seu estado exige atenção". Havia uma outra "capa quase pronta", mas "mudou tudo"

Leia mais, pela manhã, em
www.todamidia.folha.blog.uol.com.br

Dilma Rousseff

Brazil's President


 Dilma Rousseff

It's not easy being the first woman to govern your country. Beyond the honor it signifies, there are still prejudices and stereotypes to confront. Nor is it easy to govern an emerging nation: when societies begin to see the light of development at the end of the tunnel, there is a surge of optimism and enthusiasm, but the challenges become more complex and the citizenry more demanding. It's harder still to govern a country as large and globally relevant as Brazil.

Dilma Rousseff, 63, has all of this ahead of her. Brazil is living a unique moment in its history, one of great opportunity, which requires a leader with solid experience and firm ideals. Dilma offers precisely that virtuous combination of wisdom and conviction that her country needs. Brazil's new President is a courageous fighter who stood up to its former military dictatorship and has dedicated her life to building a democratic alternative for development, social equality and women's rights.

Bachelet is the former President of Chile and the first executive director of U.N. Women

Murder of Activists Raises Questions of Justice in Amazon

May 28, 2011, 10:36 am

Green: Politics
Early Tuesday, José Cláudio Ribeiro da Silva, a forest activist and tree nut harvester, and his wife, Maria do Espirito Santo, drove a motorcycle through Brazil’s northern Para State, in the Amazon rain forest. As they crossed a river bridge, gunmen lying in wait opened fire with a pistol and shotgun, killing them.
It was a gruesome attack: before fleeing the scene, the assassins severed one of Mr. da Silva’s ears as a trophy of the killing, a signature of hired gunmen in the region. At least 15 bullet casings were found at the scene, reports said.
News of the slayings, emerging on the same day that Brazil’s parliament was to vote on a controversial revision of the country’s forest protection laws, rocketed through Brazil’s political classes. Within hours, senior government officials were briefed on the crime and President Dilma Rousseff had ordered an investigation by the federal police.
Yet whether that investigation results in punishment for the killers — or those who likely hired them — is deeply uncertain. More than 1,000 rural activists, small farmers, religious workers and others fighting the region’s rampant deforestation have been slain in the past 20 years, but only a handful of killers have ever been successfully prosecuted, according to a statement by the Pastoral Land Commission, a Catholic organization that tracks rural violence.

The successful prosecution of the powerful farmers, ranchers, loggers and industrial interests behind the killings, meanwhile, is almost nonexistent in the region, the group said.
Environmental campaigners said that endemic corruption in Para State’s judiciary had allowed the murder of forest activists to be committed with impunity.
“Corruption is part of the process here,” said Paulo Adario, the Amazon campaign director for Greenpeace. “Para is a state completely out of control. It continues to be the Wild West.”
In a speech at the TEDx Amazon conference last November, Mr. da Silva spoke about his efforts protecting the rain forest, where he had worked as a nut harvester and basket maker since the age of seven and had helped develop an economic collective based on sustainable forest products. (For English subtitles on the above YouTube video, press play, then engage the “cc” closed-captioning button.)
As a child, he said, the forest cover around his small town was 85 percent intact, but today it is down to just 20 percent, much of which is already fragmented.
He acknowledged the dangers he faced for his activism. “I live off the forest, I protect it in every way I can. That’s why I live at gunpoint all the time,” he said. “Am I scared? I am. I am a human being. I get scared.”
Mr. da Silva closed his speech with a plea to “all of you who live in urban centers.”
“When you want to buy something that was made from timber, that came from the forest, check the origin,” he said. “If you start to say no to timber of suspicious origin, to timber with an unknown origin the market will begin to weaken and they will no longer see the results they hoped for.”
“They either abide by the law or they close down.”
In a grim coincidence, on the same day that Mr. da Silva and his wife were assassinated, the Brazilian Congress voted in favor of a controversial bill loosening the national forest code, a decades-old law containing provisions designed to protect the Amazon rain forest from destruction by loggers, farmers and other commercial interests.
The law would open the door to new deforestation and grant broad amnesty to those guilty of illegal forest clearance, analysts said.
During the debate over the revisions, Jose Sarney Filho, a congressman and former environment minister who opposed the changes to the code, spoke of the activists’ murders in a speech to the assembly. He was greeted by boos from the audience, including fellow deputies.
“I couldn’t believe it. They were booing the news of a murder. It was terrible, but it happened,” said Mr. Adario, the Greenpeace director, who witnessed the speech.
The bill now advances to the Senate for review, and must ultimately be signed by President Rousseff, who has vowed to veto any measure containing amnesty for illegal loggers or clearing the way for new deforestation.
As for the investigation into the murders of Mr. da Silva and his wife, regional observers say that justice is unlikely unless sufficient media and political pressure are brought to bear on the case.
A similar slaying in 2005, of Dorothy Stang, an American nun and rain forest activist, resulted in the conviction not just of the gunmen responsible for her death, but also the powerful landowner who ordered the assassination. Those convictions came only after intense national and international attention and a difficult legal process, however.
“This is a very remote region, far from the spotlight,” Mr. Adario said. “When you bring the spotlight you can hope that things can change.”

domingo, 29 de maio de 2011

Acordo nega legitimidade a golpe e vinga posição do Brasil

ANÁLISE

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

O acordo que abriu caminho para a reintegração de Honduras à OEA não restitui Manuel Zelaya ao poder, como exigiu a entidade há dois anos, nem garante a estabilidade num país polarizado.
Seu mérito é negar qualquer pretensão de legitimidade ao complô cívico-militar que retirou o presidente de pijamas da residência oficial e o expulsou do país.
O acordo premia a persistência do Brasil e de seus sócios no Mercosul, para os quais a época de quarteladas na região fora encerrada com a aprovação da Carta Democrática da OEA, em 2001.
Esses países resistiram à ofensiva liderada pelos EUA para que a situação fosse dada por normalizada após a eleição de Porfírio Lobo.
Na época, o governo Obama buscou acomodação com os golpistas devido à pressão conservadora no Congresso e ao lobby da Câmara de Comércio EUA-Honduras, detalhado nos telegramas obtidos pelo grupo WikiLeaks.
Fez isso apesar de o próprio embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, ter dito que a deposição fora "ilegal e inconstitucional".
Embora a Carta hondurenha seja falha em mecanismos para resolver disputas entre os Poderes, o certo é que o afastamento legal do presidente só poderia ter ocorrido após sua condenação em processo judicial.
A alegação dos golpistas era que Zelaya violara a Constituição ao organizar consulta popular sobre a convocação de Constituinte. A acusação se baseava na suposição de que o objetivo final era mudar a cláusula pétrea que proíbe a reeleição.
O acordo intermediado por Colômbia e Venezuela pretende encerrar a polêmica ao reconhecer o direito de Zelaya de promover a consulta.
Se realizado, desta vez o plebiscito poderá versar diretamente sobre mudanças em cláusulas pétreas, conforme regulamentação do tema aprovada em janeiro por iniciativa de Lobo, sob o argumento -tirado da Carta- de que "soberano é o povo".
Folha de São Paulo, 29/05/2011

Pacto não oferece garantias, dizem ONGs

DA ENVIADA A TEGUCIGALPA

Triunfo político do ex-presidente -e da diplomacia regional-, o acordo para a volta de Zelaya a Honduras não tem garantias jurídicas para o ex-mandatário, não pune os golpistas nem os violadores de direitos humanos.
Quem protesta é um conjunto de ONGs locais e do exterior que exige que a Organização dos Estados Americanos imponha condições para Honduras voltar à entidade.
O grupo lembra o alarmante recorde do país na matéria: do golpe até agora, nada menos que 11 jornalistas foram assassinados, e as contas totais, somando mortes de defensores de direitos humanos e líderes camponeses, alcançam ao menos o dobro.
A votação na OEA será na quarta, e a possibilidade de que o apelo seja acatado é remota. Só o Equador defende que o acordo fechado entre Zelaya e o atual presidente hondurenho, Porfirio Lobo, não basta para reintegração.
"Sou um dos 300 professores suspensos pelo atual governo por decreto, em represália a greve. Não há garantias para exercer a oposição. A volta de Zelaya é só o início. É um acordo que não nos satisfaz por completo", diz a líder sindical Janina Parada.
Viviana Krsticevic, diretora da ONG Cejil, lembra que juízes destituídos por protestar contra o golpe não foram reintegrados. "E os golpistas não só não foram punidos como foram premiados."
Os chefes da Corte Suprema e do Ministério Público, que comandaram o que Krsticevic chama de "complô institucional" contra o ex-presidente, continuam em seus cargos, aponta ela.
Os pró-acordo, como o Brasil, alegam que o acompanhamento externo servirá de salvaguarda a Zelaya. (FM)
Folha de São Paulo, 29/05/2011

Zelaya volta a Honduras no palanque

Deposto em 2009 e expulso do país, ex-presidente é saudado por multidão e promete levar "resistência" ao poder

Sem direito de tentar se reeleger em 2013, segundo a Carta do país, ex-mandatário articula candidatura da mulher


Eduardo Verdugo/Associated Press
O ex-presidente Manuel Zelaya acena com seu chapéu para participantes de ato de boas-vindas, ontem, em Tegucigalpa

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A TEGUCIGALPA

Quase dois anos depois de ser deposto da Presidência de Honduras, Manuel Zelaya foi recebido ontem por uma multidão de apoiadores em Tegucigalpa e prometeu levar "a resistência popular" ao comando do país.
Zelaya agradeceu o apoio dos países latino-americanos e ao atual governo de Honduras por "restituir seus direitos democráticos". Culpou os EUA pelo fracasso das negociações anteriores e anunciou que sua tarefa será organizar sua base política para promover uma Constituinte.
O ex-presidente voltou a partir de Manágua, num avião cedido pelo governo do venezuelano Hugo Chávez.
Zelaya tem o desafio de consolidar sua heterogênea base de apoio no país.
No aeroporto, era esperado por seguidores que usavam blusas e camisas da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), criada pós-golpe, misturados a símbolos do Partido Liberal, a legenda original de Zelaya.
O ex-presidente agora se define "liberal pró-socialista em resistência". "Esperamos que Zelaya organize a resistência", disse o técnico em informática Douglas Sierra, 26, envolvido numa bandeira do Brasil. "Comprei para homenagear o apoio brasileiro a Mel [apelido de Zelaya]."
Em setembro de 2009, tentando forçar sua restituição ao poder, Zelaya refugiou-se na Embaixada brasileira em Manágua. Ficou lá por quase quatro meses até ir para o exílio na República Dominicana. A aposta da FNRP para seguir unida é intensificar a campanha para convocar uma Constituinte -ironicamente, um motivo alegado para o golpe contra Zelaya.
A possibilidade de propor uma consulta popular sobre mudança da Constituição -e sua posterior reforma total- foi viabilizada pelos atuais governo e Congresso e fez parte do acordo para a volta de ex-presidente, mediado pela Venezuela e Colômbia.
"O status quo hondurenho fez tudo para impedir qualquer mudança, motivado por uma paranoia anti-Hugo Chávez. Espero que tenham percebido que o desenho institucional de Honduras na atual Constituição foi uma das razões da crise de 2009", diz Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica e analista para a região do Brookings Institute (EUA).
Pela atual Carta, que veta a reeleição, Zelaya não poderá se candidatar às presidenciais de 2013. A ideia é lançar desde já a mulher do ex-presidente, Xiomara Castro, que foi uma das oradoras do evento de ontem.
Folha de São Paulo, 29/05/2011

Memória e justiça

Editoriais
editoriais@uol.com.br


A captura do ex-general sérvio Ratko Mladic, por atrocidades cometidas na Guerra da Bósnia (1992-95), encerra o capítulo de um dos grandes fracassos da comunidade internacional na última década do século 20.
A pior das atrocidades que levaram à tardia prisão de Mladic, o massacre de Srebrenica em julho de 1995, representou o maior derramamento de sangue em solo europeu desde o final da Segunda Guerra Mundial, 50 anos antes.
O extermínio de 8.000 homens e meninos bósnios-muçulmanos deu-se em um campo de refugiados sob proteção das Nações Unidas. Ironicamente, o local era chamado de "porto seguro".
As forças lideradas por Mladic subjugaram os pouco mais de 300 soldados holandeses, incapazes de impor resistência séria diante da superioridade sérvia. Por três dias, transformaram os arredores em campos de morte. Só quando a dimensão da matança em Srebrenica emergiu de forma clara o Ocidente engajou-se de modo decisivo para pôr fim ao conflito.
A falha na defesa dos refugiados sob proteção das Nações Unidas foi agora em parte redimida, com o perpetrador das atrocidades levado finalmente à Justiça. O líder político dos sérvios-bósnios e principal aliado civil de Mladic, Radovan Karadzic, já havia sido preso em 2008. O chefe de ambos, o então presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, morreu em 2006, enquanto aguardava para ser julgado em Haia.
O desfecho desse período tenebroso da história dos Bálcãs leva a uma diminuição do isolamento internacional da Sérvia. Abre, assim, caminho para a futura adesão do país à União Europeia (UE).
Não se deve supor, entretanto, que a prisão de Mladic vá trazer imediata reconciliação do país com a Europa e o restante do mundo. A questão de Kosovo, que declarou independência unilateralmente em 2008, ainda segue longe de ser resolvida, apesar de negociações em andamento.
A esperança do governo sérvio agora é obter o status oficial de candidato a país-membro da UE, o que pode ocorrer em dezembro. Para além do passo simbólico, isso não indica que a entrada do país no bloco político-econômico esteja próxima.
É sempre recompensador quando um genocida é levado à Justiça, não importa o tempo decorrido. A prisão de Mladic deve ser louvada. Seus crimes e a inoperância da comunidade internacional no episódio, contudo, não podem ser olvidados, sob pena de repetição.
Folha de São Paulo, 29/05/2011

sábado, 28 de maio de 2011

Brazil: Court Backs Civil Unions


Brazil’s Supreme Court ruled Thursday night that civil unions between same-sex couples must be allowed in the nation, which has more Roman Catholics than any other. In a 10-0 vote, with one abstention, the justices said gay couples deserve the same legal rights as heterosexual pairs when it comes to alimony, retirement benefits of a partner who dies and inheritances, among other issues. The ruling, however, stopped short of legalizing gay marriage.

Brazil: Gun Buyback Campaign Begins

By THE ASSOCIATED PRESS

The government began a gun buyback campaign on Friday that officials hope will take more than one million guns off the streets by the end of the year. The campaign started one month after a gunman shot and killed 12 children in a Rio de Janeiro school before killing himself. In similar campaigns in 2003 and 2009, 1.1 million firearms were turned in. The Justice Ministry says on its Web site that gun owners can turn in their guns and ammunition with no questions asked and will receive the equivalent of up to $190. The weapons will be immediately disabled with a hammer and later melted down.

Pilots Avoid Jail in Brazil Crash

By THE NEW YORK TIMES

SÃO PAULO, Brazil — A Brazilian federal judge on Monday sentenced two American pilots involved in a fatal air crash over the Amazon rain forest in 2006 to community service.
Judge Murilo Mendes sentenced the pilots, Joseph Lepore and Jan Paul Paladino, to four years and four months of prison in a “semi-open” facility for their role in the collision between the Legacy private jet they were flying and a Gol Boeing 737-800, which resulted in 154 deaths. But the judge commuted the sentences to community service to be served in the United States, where the pilots reside.
Brazilian authorities accused the pilots of turning off the Legacy’s transponder moments before the accident and turning it on again only after the crash. In a deposition taken in the United States by Brazilian authorities via videoconference the men denied that the equipment had been turned off.
Judge Mendes, in the 86-page sentence, said the pilots had failed to verify the function of equipment for more than an hour, a length of time he called “an eternity” in aviation.
An Brazilian air traffic controller had been previously convicted in the case of a crime equivalent to manslaughter.

Brazil’s Soul, in Form of a Stadium

Sergio Moraes/Reuters
Slums in Rio de Janeiro called favelas dot the hillsides above the Maracanã, Brazil's most famous soccer stadium.
RIO DE JANEIRO — Generations of Brazilians have grown up in the Estádio Jornalista Mário Filho, known around the world as the Maracanã. Built for the 1950 World Cup and at the time the largest stadium in the world, it became an instant national landmark, a symbol of Brazil’s soccer-centric culture.
 
Associated Press
In 1950, as many as 200,000 spectators crammed into the Maracanã to see Uruguay beat Brazil in the deciding game of the World Cup.
The stadium, which is likely to host the 2014 World Cup opener and final, is flanked by hills and favelas, the city’s notoriously poor slums. Far above, from behind the iconic statue of Christ the Redeemer, the distant Maracanã looks like a still birdbath amid the pulsing metropolis.
But that mountaintop view, with an admission cost of $18, is out of reach for most Cariocas, as the locals are known. The view of the field from the standing-room general admission area of the Maracanã, on the other hand, cost just $1.80 not long ago, making it one of the few places Rio’s poor residents could afford to go for world-class entertainment.

Not anymore.

That general admission area known as the geral has steadily disappeared. The stadium’s official capacity of 173,000 was more than halved during preparations for the 1999 FIFA Club World Cup, when the Maracanã was converted to an all-seater, in which every patron has a seat. For the 2007 Pan American Games, the general admission area was closed off, as is the entire stadium today. Its capacity — some say more than 200,000 crammed in for the 1950 final, a heartbreaking loss to Uruguay — will be just 76,525 when the renovated Maracanã reopens in 2013 to host the Confederations Cup, the World Cup’s dress rehearsal. Those renovations will cost more than $600 million, according to the state’s Office of Public Works, but they were not entirely welcomed.
“It’s just one reform after another without anyone ever doing any kind of research as to what the people who actually use the stadium want,” said Christopher Gaffney, a visiting professor of urbanism at the Federal University in Fluminense in the state of Rio de Janeiro.
Gaffney is part of a recently formed group of activists called the National Fans’ Association, which is seeking a greater voice in the future of soccer in Brazil. The culture and the history of Brazilian fandom is being swept away, they argue, as stadiums are modernized. At the heart of this transformation, Gaffney says, is commercialization.
“The culture of Brazilian football isn’t just one of going to the game and having a hot dog and a beer,” he said. “It’s active participation in what is a fundamental element of Rio’s culture.”
At another Rio stadium, the Engenhão, large bamboo poles wave 10-foot-tall flags just inches over the heads of fans in the section of seats behind the goal. Drums are beaten, songs are sung and fans run up and down the stairs of the stadium, which was built for the Pan American Games. These are the cheap seats, but at $18 they are 10 times as expensive as the former standing area at the Maracanã. At a recent match between two local teams, half the stadium was empty.
As more and more Cariocas are effectively priced out of attending matches, an increasing number of people have joined the effort of the National Fans’ Association. The organization was created in October and has 2,700 members.
“They tried to tell themselves that this was not happening, that football was still the same, that supporting their club was still the same, that the stadiums were still the same,” said Marcos Alvito, founder of the group and a history professor at the Federal University in Fluminense. “It’s not true and they know it.”
Luxury boxes, modern seating and safety improvements are reasons Brazil’s stadiums are changing as the country prepares to host the World Cup and the 2016 Summer Olympics. They are also likely to increase ticket prices. But the Maracanã, a municipal stadium, is also one of the city’s revered public spaces. As these global changes seep into Brazil ahead of its spotlight-luring turns hosting the world’s two largest sports spectacles, the public nature of the Maracanã of the past is under threat.
“Do you give up the vitality of the Maracanã as a public space, a rare type of space in Rio where you can actually get together people of different social classes?” said Bruno Carvalho, a Rio native who is an assistant professor of Brazilian studies at Princeton. “What’s the price that you pay when you don’t allow that to happen?”

Carvalho said he was not worried that the participatory nature of Brazil’s fervent soccer fans would fade away. But he does worry about the Maracanã’s role as an egalitarian space in a heavily unequal city like Rio.
Felipe Dana/Associated Press
Renovations will modernize the stadium for the 2014 World Cup, but critics say it will no longer be affordable to the poorest fans.
Goal
The Times's soccer blog has the world's game covered from all angles.
Comite Rio 2016 via Associated Press
After the World Cup, the renovated Maracanã, with a new volleyball arena next door, will be a centerpiece of the 2016 Olympics.
Felipe Dana/Associated Press
The statue of Christ and the Maracanã. Rio's poor can't afford to visit either one.
“What could be lost is the nature of the stadium experience as something that cuts across the class segregation of the city as a whole,” Carvalho said.
Brazilian officials argue that ticket prices for soccer matches remain low compared with those of many of the leagues in Europe, and that the sorts of stadium renovations that are under way are badly needed. Brazil’s stadiums today are not up to the standards of its fans, according to Rodrigo Paiva, a spokesman for the 2014 World Cup’s local organizing committee.
“The dedicated supporter cannot be treated as a second-class citizen in the local stadiums and deserves better viewing conditions, more safety, comfort, as well as access to good catering and other services,” Paiva said in an e-mail.
For the members of the National Fans’ Association, better services and modernized facilities are but a tradeoff, fulfilling the desires of the wealthy while ignoring those of the poor. They know that much of this work has to and will be done before the World Cup, but they remain hopeful that the process can be altered along the way to reflect the will of the full spectrum of Brazilian fans.
“Maybe we can make it necessary that they include cultural space, or that they have to at least consult with urban planners or neighborhood associations to see how they should integrate what will basically be white elephants into the urban context,” Gaffney said.
Though a report released recently by a government watchdog group known as the Brazilian Audit Court warned that work on the stadium was progressing too slowly, several of the World Cup’s biggest games will most likely take place inside the renovated Maracanã in 2014. Protected as a historic site, the stadium’s structure will remain largely the same concrete bowl millions of Brazilians have known. But inside, the stadium will be unavoidably — and to some, unfortunately — different.
“It’s such a part of the public memory and the very texture of the city that it’s hard to imagine it being something else,” Gaffney said. “But now it is. And people are going to have to come to terms with the fact that it is not going to be what it was.”

Brazil: Government Vows Crackdown on Cattle Ranchers in the Amazon

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Brazilian government officials said Wednesday that they would crack down on cattle ranchers in the Amazon after new data showed that deforestation there had increased by 26 percent in the nine months that ended in April, compared to with the same period a year before. The data showed to that about 710 square miles had been deforested in that time. Izabella Teixeira, Brazil’s environment minister, called the jump “unacceptable” and vowed to seize the cattle of farmers who are practicing deforestation to cultivate new pastureland. Ibama, Brazil’s environmental protection agency, more than doubled police operations this year intended to deter deforestation. Despite those efforts, Mato Grosso, Brazil’s leading soybean-producing state, saw a 43 percent increase in deforestation in the nine-month period that ended in April, compared to with the same period last year. Leading environmentalists said some farmers had cut down trees because they expected they would be allowed to do so anyway under a bill being considered in Brazil’s Congress to ease restrictions on the amount of land that needed to remain forested.

Brazil: Amazon Bill Advances

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Brazil’s lower house of Congress overwhelmingly approved revisions to a key environmental law that would open up land in the Amazon rain forest for agriculture and grant amnesty to producers who deforested protected areas. The Senate still must vote on the measure, which conservationists say could accelerate the pace of deforestation.

China’s Interest in Farmland Makes Brazil Uneasy

Daniel Kfouri for The New York Times
A farmer working in his soybean field in Uruaçu, Brazil. Demand for soybeans in China has brought Chinese investors here.


Daniel Kfouri for The New York Times
A new railroad line in Uruaçu, Brazil, will carry soybeans to a port for shipping to China. Brazil's economic links with China have helped it prosper, but Brazil is selling mostly raw materials.

 

Officials in this farming area would not sell the hundreds of thousands of acres needed. Undeterred, the Chinese pursued a different strategy: providing credit to farmers and potentially tripling the soybeans grown here to feed chickens and hogs back in China.
“They need the soy more than anyone,” said Edimilson Santana, a farmer in the small town of Uruaçu. “This could be a new beginning for farmers here.”
The $7 billion agreement signed last month — to produce six million tons of soybeans a year — is one of several struck in recent weeks as China hurries to shore up its food security and offset its growing reliance on crops from the United States by pursuing vast tracts of Latin America’s agricultural heartland.
Even as Brazil, Argentina and other nations move to impose limits on farmland purchases by foreigners, the Chinese are seeking to more directly control production themselves, taking their nation’s fervor for agricultural self-sufficiency overseas.
“They are moving in,” said Carlo Lovatelli, president of the Brazilian Association of Vegetable Oil Industries. “They are looking for land, looking for reliable partners. But what they would like to do is run the show alone.”
While many welcome the investments, the aggressive push comes as Brazilian officials have begun questioning the “strategic partnership” with China encouraged by former President Luiz Inácio Lula da Silva. The Chinese have become so important to Brazil’s economy that it cannot do without them — and that is precisely what is making Brazil increasingly uneasy.
“One thing the world can be sure of: there is no going back,” Mr. da Silva said while visiting Beijing in 2009.
China has become Brazil’s biggest trading partner, buying ever increasing volumes of soybeans and iron ore, while investing billions in Brazil’s energy sector. The demand has helped fuel an economic boom here that has lifted more than 20 million Brazilians from extreme poverty and brought economic stability to a country accustomed to periodic crises.
Yet some experts say the partnership has devolved into a classic neo-colonial relationship in which China has the upper hand. Nearly 84 percent of Brazil’s exports to China last year were raw materials, up from 68 percent in 2000. But about 98 percent of China’s exports to Brazil are manufactured products — including the latest, low-priced cars for Brazil’s emerging middle class — that are beating down Brazil’s industrial sector.
“The relationship has been very unbalanced,” said Rubens Ricupero, a former Brazilian diplomat and finance minister. “There has been a clear lack of strategy on the Brazilian side.”
While visiting China last month, Brazil’s new president, Dilma Rousseff, emphasized the need to sell higher-value products to China, and she has edged closer to the United States. “It is not by accident that there is a sort of effort to revalue the relationship with the United States,” said Paulo Sotero, director of the Brazil Institute at the Woodrow Wilson International Center for Scholars. “China exposes Brazil’s vulnerabilities more than any other country in the world.”
China’s moves to buy land have made officials nervous. Last August, Luís Inácio Adams, Brazil’s attorney general, reinterpreted a 1971 law, making it significantly harder for foreigners to buy land in Brazil. Argentina’s president, Cristina Fernández de Kirchner, followed suit last month, sending a law to Congress limiting the size and concentration of rural land foreigners could own.
Mr. Adams said his decision was not a direct result of land-buying by China, but he noted that huge “land grabs” in Latin America and sub-Saharan Africa, including China’s attempt to lease about three million acres in the Philippines, had alarmed Brazilian officials.
“Nothing is preventing investment from happening, but it will be regulated,” Mr. Adams said.
A World Bank study last year said that volatile food prices had brought a “rising tide” of large-scale farmland purchases in developing nations, and that China was among a small group of countries making most of the purchases.
Foreigners own an estimated 11 percent of productive land in Argentina, according to the Argentine Agriculture Federation. In Brazil, one government study estimated that foreigners owned land equivalent to about 20 percent of São Paulo State.
Daniel Kfouri for The New York Times
A farmer harvested soy in Uruaçu, Brazil.

 

International investors have criticized the restrictions. At least $15 billion in farming and forestry projects in Brazil have been suspended since the government’s limits, according to Agroconsult, a Brazilian agricultural consultancy.
“The tightening of land purchases by foreigners is really a step backwards into a Jurassic mentality of counterproductive nationalism,” said Charles Tang, president of the Brazil-China Chamber of Commerce, saying that American farmers had bought sizable plots in Brazil in recent years, with little uproar.
Responding to the criticism, Brazil’s agriculture minister said this month that Brazil might start leasing farmland to foreigners, given the barriers to ownership.
China itself does not allow private ownership of farmland, and it cautioned local governments against granting large-scale or long-term leases to companies in a 2001 directive. China also bans foreign companies from buying mines and oil fields.
But as more of its people eat meat, China is expected to increase its soybean imports, mostly for animal feed, by more than 50 percent by 2020, according to the United States Department of Agriculture. Last month, Chongqing Grains signed a $2.5 billion agreement to produce soybeans in the Brazilian state of Bahia. Last October, a Chinese group agreed to develop about 500,000 acres of farmland in Río Negro Province in Argentina.
In both cases, Chinese officials proposed buying large tracts of land before local officials steered them toward production agreements.
“We are never going to sell the land,” said Juan Manuel Accatino, the minister of production in Río Negro.
Brian Willott, an American farmer who came to Brazil in 2003, said Chinese interest in buying farms had not abated. “Everywhere you go to look at a farm they say, ‘We are considering selling to the Chinese,’ ” he said.
In Goiás State, nearly 70 percent of the soy grown went to the Chinese last year, and the Chinese are seeking to use about 20 million acres of pastureland that has not been cultivated for decades.
“For them, the faster the better,” said Antônio de Lima, Goiás’ agriculture minister.
Farmers here say they share Chinese officials’ goal of breaking the stranglehold of international trading companies like Cargill and Archer Daniels Midland.
But Tan Lin, a manager at the Chinese company involved in Goiás, said he doubted Chinese companies were ready to replace them.
“I don’t see that the Chinese companies working here have that expertise yet,” Mr. Tan said. But “if you can do that, it is good, of course.”

Ex-presidente retorna hoje ao país; opiniões se dividem como em 2009

HONDURAS

DA ENVIADA A HONDURAS -

Os que esperam com ansiedade a volta de Manuel Zelaya a Tegucigalpa hoje, quase dois anos após ser deposto do poder, repetem uma sequencia de argumentos para defender o ex-presidente: se não fosse ele, o salário mínimo seria muito mais baixo em Honduras, e só ele conseguiu baixar o preço da gasolina.
"Só não vou à festa porque trabalho", diz David Avila, 23, vendedor da Pizza Hut, em referência à recepção que a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), que agrega os apoiadores de Zelaya, prepara para ele nos arredores do aeroporto da capital.
Agora, como em 2009, há sinais de que o ex-mandatário segue dividindo o país. "Não sei se foi golpe ou não foi golpe. Sei que foi necessário", diz Hector Mendoza, 40, dono de um restaurante. "Honduras precisa de mais igualdade, menos pobreza, mas a resposta não é Mel [apelido do ex-presidente]. Eu o preferia longe, mas se isso nos ajuda internacionalmente, bem-vindo."
O retorno de Zelaya é o resultado de pacto selado com o atual presidente, Porfirio Lobo. O trato inclui a anistia do ex-mandatário e apoiadores, abre as portas para que a FNRP se torne um partido e inclui a possibilidade de uma consulta nacional a respeito da convocação de uma Constituinte.
O acordo foi mediado por Venezuela e Colômbia e deve ser o passaporte para que o país seja reintegrado à Organização dos Estados Americanos na quarta.
(FLÁVIA MARREIRO)
Folha de São Paulo, 28/05/2011

Chinês realiza atentado a bomba contra prédios oficiais e mata dois

REVOLTA


ENVIADO ESPECIAL A XANGAI -

Em aparente protesto contra a desapropriação de sua casa, um agricultor explodiu três bombas anteontem no centro de Fuzhou, no leste da China. Os ataques ocorreram diante de prédios públicos e provocaram a morte de ao menos duas pessoas, além do autor do atentado -há sete feridos.
As explosões ocorreram por volta das 9h30 e atingiram o prédio da Promotoria, a sede do governo distrital e um prédio de distribuição de alimentos e remédios.
O autor do ataque foi identificado como Qian Mingqi, 52. Em um post no seu microblog, ele diz que teve a casa demolida ilegalmente em 2002 para a construção de uma rodovia e que, apesar de várias tentativas, nunca foi indenizado.
"Física e mentalmente sou normal. Até hoje não cometi nenhum crime. Não protestei de forma ilegal diante das autoridades. Quando a minha casa, construída legalmente, foi destruída de forma ilegal, sofri grande perda econômica", escreveu Qian na quarta-feira.
A história é similar a centenas de outras em que o desalojado recebe baixa ou nenhuma indenização. Sem uma Justiça confiável, muitos viajam a Pequim, numa quase sempre frustrante tentativa de recorrer ao governo central.
Estudo de 2008 feito pelo professor Hu Xingdou, do Instituto de Tecnologia de Pequim, com mil pessoas, mostrou que 45% foram espancados, 42%, detidos, e 3% internados em hospitais psiquiátricos.
(FABIANO MAISONNAVE)

Folha de São Paulo, 28/05/2011

Argentina é hostil com imprensa, diz "Clarín"

Editor diz que governo criou exército de jornalistas "militantes" para atacar oposição

Sergio Lima/Folhapress
O editor-geral do jornal argentino "Clarín", Ricardo Kirschbaum, que está em Brasília para receber prêmio da ANJ

RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA

Editor-geral do maior jornal da Argentina desde 2003, Ricardo Kirschbaum, 62, afirma que o governo Cristina Kirchner organiza com dinheiro público um exército de jornalistas "militantes" para atacar a oposição e a mídia não aliada.
O jornal teve boa relação com os Kirchner até 2007, mas hoje trava uma relação conflituosa com a Casa Rosada -que culminou, em março, com o bloqueio por sindicalistas pró-governo do parque gráfico do jornal, impedindo a circulação da edição.



Folha - Qual é a atual situação da imprensa na Argentina?
Ricardo Kirschbaum -
O governo diz promover a pluralidade de opiniões, fomentar a livre discussão de ideias e a mais irrestrita liberdade de imprensa. Isso é no plano formal. No plano real, essas afirmações são ilusão. Em geral, o governo tem uma atitude hostil com a imprensa, considera que é um inimigo a combater. A partir dessa definição, se produz algo como o jornalismo militante.
São militantes políticos.
Participam de campanhas políticas contra a oposição ou contra jornalistas que considerem críticos. O governo criou, com dinheiro oficial, um conglomerado de mídia pública e privada.

Qual a posição do jornal sobre a Lei de Serviços Audiovisuais, aprovada em 2009?
O governo criou uma lei com o objetivo declarado de promover a diversidade e ter uma atitude anti-monopólica, mas, na verdade, quer criar muitos meios que dizem o mesmo e que dependem de um só financiamento.

O objetivo não seria apenas evitar a concentração?
O objetivo é silenciar todas as vozes críticas. Como o "Clarín" tem independência econômica e tem penetração na sociedade, a meta é impedir que exista o exercício do jornalismo independente na Argentina, com o conceito de que os jornais e os meios de comunicação não são meios de comunicação, mas partidos políticos.

FOLHA.com
Veja a entrevista do editor-geral do "Clarín"
folha.com.br/mm922031

Solução em Honduras

Editoriais
editoriais@uol.com.br

O acordo recém-alcançado entre o atual presidente hondurenho, Porfírio Lobo, e seu antecessor, Manuel Zelaya, representa a vitória da diplomacia realista e moderada sobre o maniqueísmo que marcou a crise regional subsequente à deposição do mandatário, em junho de 2009.
O pacto autoriza que Zelaya volte a seu país, vindo do exílio na República Dominicana, retorno previsto para hoje. Permite, mais importante, a reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).
A negociação conduzida pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, põe termo a um imbróglio que se arrastou muito além do que seria razoável.
A crise no pequeno país centro-americano fora deflagrada por abusos de ambas as partes em conflito. Em desrespeito à Carta local, Zelaya propusera consulta popular sobre reforma constitucional para permitir a reeleição. A Corte Suprema decidiu depor o então mandatário e ordenou sua prisão. Militares, contudo, extrapolaram a ordem judicial e o expulsaram do país, o que também ofendia a Constituição.
A condenação da ruptura da ordem democrática, por parte da comunidade regional, com destaque para a veemência exagerada do Brasil, resvalou para exigências nada pragmáticas. Por exemplo, a de recondução de Zelaya ao poder, que dificultou a devolução de Honduras à normalidade.
Um processo eleitoral que já estava em curso antes de sua deposição não foi reconhecido por parte dos países latino-americanos, entre eles o Brasil. Enquanto um bloco liderado pelos Estados Unidos advogava a reintegração de Honduras à OEA, após a eleição legítima de Porfírio Lobo, o Itamaraty, vizinhos do Mercosul e a Venezuela se recusavam a aceitá-la, enquanto não fossem restaurados os direitos políticos de Zelaya.
O impasse encontrou agora uma solução. Ainda mais auspicioso foi que tenha sido alcançada pela reaproximação diplomática entre Colômbia e Venezuela, que costuraram o acordo. Uma atitude mais conciliatória também parece prevalecer em Brasília, e deve ser saudada a discreta reação do Itamaraty ao desfecho da crise.
É pouco provável que a volta de Zelaya ao país instaure na política hondurenha os padrões razoáveis de normalidade democrática já alcançados na maior parte da América Latina. Ao contrário.
De todo modo, será certamente mais fácil superar novas crises se a diplomacia do continente americano persistir no caminho de relativa moderação ora favorecido.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

TROPA DE HOLLYWOOD

Toda Mídia

NELSON DE SÁ -
nelsonsa@uol.com.br

Dilma e as opções

Bastou uma semana de campanha no "Jornal da Record", falando em "pais indignados" e "medo de que o material incentive crianças a adotar a postura homossexual". Em blog, Edir Macedo postou que a "Constituição garante o direito de não desejar filho gay". Até que a "presidente manda cancelar cartilhas sobre homossexualismo", anteontem na escalada da Record -destaque também no "Jornal Nacional", mas sublinhando serem "contra a homofobia".
E ontem, na manchete da mesma Record, "Dilma declara que não será permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais".


hollywoodreporter.com
Na Tríplice Fronteira, o cineasta José Padilha pesquisa para nova produção _em inglês

//TROPA DE HOLLYWOOD
Anteontem o "Variety" noticiou que José Padilha, de "Tropa de Elite", é cotado para dirigir "Wolverine", da Fox, além de estar vinculado a "Robocop", da MGM. E ontem o "Hollywood Reporter" entrevistou Padilha, hoje cliente da agência CAA, direto da Tríplice Fronteira, onde "conduz pesquisas" para outra produção, "Tri-Border".
Promete "um filme político escondido num filme de ação", com "máfias chinesa e sérvia, traficantes bolivianos, colombianos e brasileiros, contrabandistas libaneses suspeitos de ajudar o Hezbollah, policiais e políticos corruptos de Brasil, Paraguai e Argentina".
O mesmo "Hollywood Reporter" deu há dois meses um estudo da Rand Corp., denunciando que "a pirataria de filmes ajudou grupos terroristas" na Tríplice Fronteira, citando "conhecido pirata de DVDs" que é também "terrorista global", segundo classificação de 2004 dos EUA.


Chris Ratcliffe/nytimes.com
No G8, ontem, Obama, Sarkozy e outros líderes

//"VELHA GUARDA OCIDENTAL"
No enunciado do "New York Times" para a cúpula na França, ontem, "Crise do euro assombra G8". Afirma que o grupo "foi ofuscado pelo G20, em que emergentes como a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul também têm assento".
E destaca, de David Shorr, da Stanley Foundation, que o G8 é hoje um "clube da velha guarda ocidental", já sem "os atores-chave para enfrentar os grandes desafios".

Campanha Bric Na chamada do "Wall Street Journal" para sua entrevista com a francesa Christine Lagarde, ela "prepara turnê global pelo FMI". Segundo o jornal, fará "paradas obrigatórias na China, no Brasil e na Índia". E o diretor brasileiro no Fundo, Paulo Nogueira Batista Jr., considerou "positivo que ela troque ideias com as autoridades brasileiras". E no enunciado do "FT" para sua entrevista com Lagarde, ela "oferece maior voz para os emergentes".

Dinheiro dos outros A "Economist", no editorial "Hora de mudar", diz que "europeu, mesmo talentoso, não deve chefiar o FMI". Chama a convenção de ser europeu "uma vergonha" e cobra um Fundo "imparcial".
E Simon Johnson, ex-economista-chefe do FMI, escreve no "NYT" que Lagarde é "explicitamente uma representante dos interesses da zona do euro" e "personifica a estratégia de apostar na ressurreição europeia com o dinheiro dos outros".

//FACEBOOK E GOOGLE, JUNTOS
Na manchete on-line do "FT" para o primeiro dia do G8, "Chefes da internet se unem contra regulação". "Normalmente concorrentes ferozes", Mark Zuckerberg, do Facebook, e Eric Schmidt, do Google, "confrontaram seus eventuais reguladores" em pronunciamento a Obama, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel etc. "Regras sobre propriedade intelectual e privacidade podem bloquear inovação", foi a mensagem.
Folha de São Paulo, 27/05/2011

Bobby Yip/reuters.com
Na Reuters, fábrica da Foxconn em Guangdong

//"HIGH-TECH"
Na manchete on-line do "Valor", "Brasil terá fábrica de telas de tablet em três anos", o primeiro país fora da Ásia -onde a fabricação se restringe a China, Japão e Coreia do Sul.
Em longa análise, a Reuters destacou que as "perspectivas do iPad estimulam aceleração "high-tech" do Brasil". Diz que "o desenvolvimento de uma cadeia de produção eletrônica ajudará a reduzir um dos maiores desequilíbrios do Brasil" -em manufaturados, com a China e outros.



Leia mais, pela manhã, em www.todamidia.folha.blog.uol.com.br